Hans Staden

Em “O Encontro Fortuito de Gerard van Oost e Oludara”, Gerard cita Hans Staden como uma influência na sua decisão em viajar para o Brasil. Para falar a verdade, Hans Staden foi uma influência minha na hora de criar o próprio personagem de Gerard van Oost!

Hans Staden foi um mercenário alemão de Homberg que fez duas viagens para o Brasil no meio do século XVI. Na sua primeira viagem, ele participou de uma invasão marinha no Arquipélago Madeira, lutou contra corsários franceses na costa do Brasil e foi um dos quarenta homens que fizeram recuar oito mil índios que sitiavam uma pequena fortaleza em Igaraçu.

Batalha contra franceses perto do estado Paraíba

Porém, tudo isso não era anormal para a época. Na verdade, foi a sua segunda viagem que estabeleceu a sua fama. Seu navio naufragou perto da Ilha de São Vicente, onde ele e outros sobreviventes foram contratados pelos Portugueses para atuarem como artilheiros no Forte Bertioga. Os portugueses e seus aliados tupiniquins estavam em guerra contra os seus vizinhos tupinambás.

Náufrago perto da Ilha de São Vicente

Um dia, enquanto caçava sozinho, Hans foi capturado pelos tupinambás. Eles o sequestraram durante nove meses. Durante o tempo que passou entre os tupinambás, ele participou de batalhas, tentou convencer mercadores franceses (aliados dos tupinambás) a resgatá-lo e fez todo o possível para escapar, mas nada adiantou. Ele também presenciou o churrasco brasileiro original quando os tupinambás assaram e devoraram um guerreiro inimigo.

Os Tupinambá assam um inimigo enquanto Staden protesta

Os tupinambás planejaram comer Hans Staden também, mas ele conseguiu adiar a execução com vários truques e desculpas. No final, o capitão francês Guillaume Moner o salvou quando ele enganou os tupinambás dizendo que os irmãos de Hans Staden tinham vindo buscá-lo.

Hans Staden volta para casa

De volta para a Europa, Staden escreveu um livro sobre as suas viagens com um título altamente descritivo: A Verdadeira História dos Selvagens, Nus e Ferozes Devoradores de Homens, Encontrados na América, e Desconhecidos Antes e Depois do Nascimento de Cristo na Terra de Hessen, Até os Últimos Dois Anos Passados, Quando o Próprio Hans Staden de Homberg, em Hessen, os Conheceu, e Agora os Traz ao Conhecimento do Público Por Meio da Impressão Deste Livro. Uau!

Hoje em dia, as edições do livro tendem a utilizar um título mais fácil de escrever: Duas Viagens ao Brasil.

O livro foi um grande sucesso na Europa, talvez o primeiro bestseller mundial, pois o seu lançamento ocorreu logo após a popularização da imprensa móvel. O livro foi tão popular que versões falsas foram lançadas (provando que a pirataria não é a novidade de hoje em dia).

Luís Alberto Pereira dirigiu um filme maravilhoso em 1999, relatando a segunda viagem de Hans Staden. O filme recria o livro de maneira impressionante. Para dar apenas um exemplo, é um dos únicos filmes feitos com a língua tupi antigo, o idioma mais comum no litoral brasileiro quando os portugueses chegaram em 1500. Ainda mais impressionante é o fato que o tupi antigo desapareceu como língua falada há duzentos anos atrás! Os atores estudaram o idioma com historiadores brasileiros, e tiveram que aprender as falas, uma a cada vez. O filme chama-se Hans Staden e recomendo-o muito.

(Imagens: do livro original de Hans Staden (1557))

 

Mensagens postadas

  1. Oladeji

    Jag tror det 🙂 Ne4e bakis e4r ingen hf6jdare, ne5nsin. Men vinkve4ll med sina systrar en toasgrdkve4ll e4r ju se5 himla trevligt se5 det var det ve4rt.

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