Réis

O real, com plural “réis”, foi a unidade de moeda no Brasil desde a chegada dos portugueses, em 1500, até a transição para o cruzeiro em 1942. Foi uma unidade bastante estável comparada com as moedas brasileiras mais modernas, que mudaram sete vezes durante o século XX!

Quando Gerard van Oost e Oludara chegam ao Brasil no fim do século XVI, a moeda em uso era o real português. As moedas eram emitidas apenas em Portugal e, por isso, eram raras no Brasil da época. Chegaram a ficar tão escassas que em 1614, o Governador do Brasil decidiu oficializar o açúcar como moeda! Foi apenas em 1694 que Portugal finalmente liberou a produção de moedas próprias no Brasil.

Ironicamente, os holandeses foram os primeiros a produzir moedas no Brasil, na sua colônia em Recife (1630 a 1654).  Esta moeda ficou conhecida como o florim brasileiro, ou ducado.

Florim brasileiro

(Image: Museu Histórico Nacional)

Para compensar a escassez de moedas no século XVI, o dinheiro do mundo inteiro entrou em circulação no Brasil, a maioria proveniente de Portugal, Espanha e suas colônias. As moedas eram bastante variadas, e incluíram os mais variados tipos, desde o ceitil de cobre (valor de um sexto de um real) até o português de ouro (valendo 4000 réis!), ambos mostrados abaixo (não em escala real):

Ceitil

Ceitil

(Imagem: Banco Central do Brasil)

Português – moeda de ouro

(Image: Museu Histórico Nacional)

Os portugueses eram meticulosos em seus documentos e sempre utilizavam réis para todas as contas. Para escrever os valores acima de mil, a cifra era utilizada. Assim, vinte mil réis eram escirtos como 20$000. Na Europa renascentista, as contas na nobreza chegaram aos milhões, que foram conhecidos como “contos” de réis. Utilizava-se dois pontos para separar os milhões: 2:000$000 significava dois milhões de réis ou dois “contos de réis”.

O real voltou a ser o nome da moeda oficial do Brasil hoje (desde 1994), mas com o plural “reais” em vez da forma antiga, “réis”.

Em “O Encontro Fortuito de Gerard van Oost e Oludara”, o traficante de escravos Pero de Belém oferece vender Oludara por quarenta mil réis (40$000), o dobro do preço normal para um escravo naquela época, um valor que apenas um rico poderia pagar. Só para comparar, um guarda pessoal do governador na época ganhava apenas 6.000 réis por ano! Você terá que ler a história para descobrir como Gerard consegue esta soma exorbitante de dinheiro para resgatar o seu companheiro.

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